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E se o seu banco quebrar? Entenda agora o que é o FGC, ou você irá se odiar depois

É… já tive investimentos em um banco que quebrou, faliu mesmo, sofrendo intervenção e liquidação pelo Banco Central.

Era uma instituição que eu nunca tinha ouvido falar, mas coloquei o equivalente a 50% de meu salário mensal lá. Fiz isso comprando LCIs e fiz sem medo: olhei só a rentabilidade e créu!

Você faria o mesmo?

O fato é que, na Renda Fixa, são os bancos pequenos que pagam os melhores rendimentos pra gente. Você pode saber mais sobre Renda Fixa aqui no nosso último artigo.

E, se a rentabilidade é muito maior nesses pequeninos, então por que você AINDA não tem parte da sua grana (das suas economias) em pequenos bancos?

Seria medo ou insegurança?

Pra vencer isso, este artigo contará a minha experiência prática com o FGC, o Fundo Garantidor de Crédito.

Se não sabe o que é esse tal de FGC, entenda aqui mesmo de forma bem simples e direta ao ponto que realmente interessa.

 

O que é o FGC – Fundo Garantidor de Créditos


O QUE E FGC

O FGC é um Fundo (uma “conta corrente” cheia de dinheiro de um monte de gente) que serve pra cobrir os créditos (a grana) que você tem em um banco (ou em certas instituições financeiras).

Mas cobrir de que forma? Nossa grana é toda eletrônica, né? Então, se seu banco quebrar, quem vai te dar de volta o seu dinheiro que estava lá é justamente esse fundo.

PORÉM, essa garantia do FGC é, hoje, limitada ao valor de 250 mil reais por CPF e por instituição financeira.

Ou seja, se você tem a sorte de ter mais do que 250mil reais em algum banco e essa misera quebrar, você terá o grande azar de perder tudo e ficar com apenas 250 na mão.

Tentei dar uma explicação bem direta. Se quiser entrar em detalhes você pode:
acessar o site deles;
ler esse documento aqui com perguntas e respostas.

AH! E pela sua natureza, o FGC é obviamente uma associação sem fins lucrativos. É uma espécie de ONG.

 

Quais instituições mantêm o FGC?


Quando eu defini Fundo, falei que um Fundo era uma “conta corrente” cheia de dinheiro de um monte de gente. Esse “dinheiro de um monte de gente” é exatamente a grana que existem nos bancos e em diversas instituições financeiras. Vou explicar…

As instituições financeiras associadas contribuem ao Fundo, mensalmente, com 0,0125% do valor total de crédito (de dinheiro) disponível naquela instituição (nosso dinheiro que tá aplicado lá).

E quais instituições são essas? Você pode consultar a lista completa aqui. Mas adianto logo: a lista inclui todos os bancos (o seu também) e grande parte das instituições financeiras. O próprio FGC define assim:

“São instituições associadas ao FGC a Caixa Econômica Federal, os bancos múltiplos, os bancos comerciais, os bancos de investimento, os bancos de desenvolvimento, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, as sociedades de crédito imobiliário, as companhias hipotecárias e as associações de poupança e empréstimo, em funcionamento no Brasil.”

 

O que exatamente é garantido pelo FGC?


  1. o que e garantido pelo FGCDepósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio (nossa grana parada em contas correntes)
  2. Depósitos de poupança;
  3. Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado; CDB – Certificado de Depósito Bancário; RDB – Recibo de Depósito Bancário;
  4. Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinados ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  5. LC – Letras de Câmbio;
  6. LI – Letras Imobiliárias;
  7. LH – Letras Hipotecárias;
  8. LCI – Letras de Crédito Imobiliário;
  9. LCA – Letras de Crédito do Agronegócio;
  10. Operações compromissadas que tem como objeto títulos emitidos, após 8 de março de 2012, por empresa ligada.

Repare que, além da conta corrente, dei especial destaque a alguns dos produtos/investimentos de Renda Fixa.

No nosso último artigo, que foi sobre a tal Renda Fixa, explicamos a lógica por trás de qualquer investimento desse tipo. Lá, a gente apresentou os seguintes exemplos de ativos:

  • Poupança, onde você empresta para um banco;
  • Títulos Públicos (via Tesouro Direto), onde você empresta para o Tesouro Nacional (governo);
  • CDB – Certificado de Depósito Bancário, onde você também empresta para um Banco;
  • LC – Letra de Câmbio, onde você empresta para uma Financeira;
  • LCI – Letra de Crédito Imobiliário, onde você empresta para um Banco;
  • LCA – Letra de Crédito do Agronegócio, onde você empresta novamente para um Banco;
  • Debêntures, onde você empresta para uma Grande Empresa.

aprovado e negado

ATENÇÃO!!! Repare que: Debêntures e Títulos Públicos NÃO são garantidos pelo amiguinho FGC!!!!

Porém, nossa grana em Títulos Públicos (via Tesouro Direto) são garantidos pelo papai governo federal. Esse é o investimento mais seguro do Brasil e já expliquei o porquê nesse artigo aqui. Então, já que papai governo tá garantindo, não tem motivo para se preocupar.

Já para as Debêntures… Aí meu amigo, se a empresa que você emprestou dinheiro quebrar, você tá ferrado. Hahaha. Na verdade, pode ser que sobre uma grana pra você e pode ser que não. Depende da ordem de preferência dos credores (na hora do caos judicial, primeiro paga aos empregados e depois vai pagando o resto da galera). Então, lembre-se: se o risco é maior ao investir em debêntures, só faça isso se a rentabilidade for realmente maior do que as outras opções mais seguras da Renda Fixa. Existem debêntures com certas garantias e um pouco mais seguras que outras, mas foge ao tema deste artigo. Então vamos em frente…

ATENÇÃO NOVAMENTE!!! Os Fundos de Investimentos NÃO são garantidos pelo FGC. Da mesma forma, tudo que é de Renda Variável (ações, derivativos, fundos imobiliários, etc.) também NÃO é.

Como os ativos de Renda Variável não são garantidos pelo FGC, muita gente parte do pressuposto que tudo que é Renda Fixa seria sim garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito. Mas, com os exemplos citados de Debêntures e Títulos Públicos, já vimos que não é bem assim que funciona. Segue então outra relação de ativos populares de Renda Fixa que NÃO são garantidos pelo FGC:
-> CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários
-> CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio
-> LF – Letras Financeiras

 

A minha experiência com o FGC | PARTE 1: O Banco e os Ativos


Feita essa gigantesca introdução. Vamos à minha historinha… =D

Então, o tal banco que quebrou foi o Banco BVA lá pelos idos de 2012. Aqui você pode ver a lista completa de bancos que se esfaleceram e cujos clientes/credores foram socorridos pelo FGC (criado em 1995).

Bem, em 01/08/2011 eu comprei:
#1# – LCI do Banco BVA a 90%CDI com vencimento para 16/01/2012
#2# – LCI do Banco BVA a 92%CDI com vencimento para 16/07/2012

Depois, em 19/12/2011, eu comprei:
#3# – LCI do Banco BVA a 95%CDI com vencimento para 03/12/2012

Então, já em 26/09/2012, eu comprei:
#4# – LCI do Banco BVA a 97%CDI com vencimento para 10/04/2013

Se você abriu aquele link, vai ver que a decretação da intervenção no Banco BVA se deu em 19/10/2012.

Assim, não tive problemas nenhum com as duas primeiras LCIs que eu possuía, com vencimentos em 16/01/2012 e 16/07/2012. Recebi tudo normalmente na data do vencimento.

Já para as demais LCIs, com vencimentos em 03/12/2012 e em 10/04/2013 (posteriores à intervenção), tive que usar a cobertura pelo FGC.

Detalhe: em 2012, o FGC não cobria até 250mil reais, mas sim até 70mil. O que, na minha humildade, já foi bem mais que o suficiente, hehehe.

 

A minha experiência com o FGC | PARTE 2: O Resgate


resgate

Apesar do Portal InfoMoney ter dado a notícia no mesmo dia da intervenção, eu só me liguei no fato em dezembro/2012 que era quando estava previsto pra entrar na conta aquele LCI a 95%CDI com vencimento para 03/12/2012.

Observação: minha corretora não passou nenhum comunicado acerca da intervenção. Terminei descobrindo pelo noticiário, por conta própria, e então fui tentar entender.

Inicialmente, o meu assessor não sabia ao certo os procedimentos. Afinal, a situação era nova para todos. Quando entrei em contato, em 18/12/2012, ele informou que os valores seriam automaticamente passados para a minha conta.

No entanto, os pagamentos via FGC são feitos diretamente aos credores/clientes. Ou seja, nada passa pelas corretoras ou custodiantes.

O Fundo Garantidor de Crédito publica um edital para explicar a forma de pagamento aos credores. No meu caso específico, foram três editais: um para os credores de São Paulo, outro do Rio de Janeiro, e outro pro resto da galera (meu caso).

Repare que os editais foram publicados apenas em 10/04/2013, ou seja, quase 6 meses após a intervenção pelo Banco Central (que é quando o BVA foi pro beleléu).

Ai, agora sim, na mesma data do edital, a minha corretora enviou comunicado a todos os clientes com ativos no Banco BVA. O comunicado resumia o edital, mostrando onde e como o dinheiro seria resgatado.

Então, para o resgate numa agência do Bradesco (conforme edital), precisava:
– CPF e Carteira de Identidade OU CNH;
– Nota(s) de Negociação referente à compra do ativo.

Este segundo documento (notas de negociação) foi enviado para mim, via e-mail, pela própria corretora. Recebi tudo em 14/04/2013 e, conforme dizia o edital do FGC, eu já poderia fazer o resgate a partir de 15/04/2013.

Então, já na primeira data disponível, compareci a uma agência do Banco Bradesco lá em Salvador/BA (onde eu morava na época).

Foi tranquilo. Depois de uma leve espera e burocracia de praxe, bastou informar uma conta corrente (coloquei minha conta do BB) pra que eles fizessem a transferência do valor. E tive que assinar um documento intitulado “Termo de Cessão de Créditos, Direitos, Sub-Rogação, Recibo de Pagamento e Outras Avenças”.

 

A minha experiência com o FGC | PARTE 3: Rendimentos e Prazos


Bem, quanto à rentabilidade… Eles pagaram os juros devidamente acordados, mas corrigidos apenas até a data da intervenção. Ou seja, é pago o valor investido acrescido dos rendimentos até a data da decretação da intervenção.

Assim, fiquei com a grana parada (sem render) por cerca de 6 meses.

Não há como saber o prazo em que o FGC pagará a garantia ao credor, pois, segundo o próprio Fundo Garantidor de Crédito, ele depende de informações que são passadas pelo Interventor ou Liquidante conforme for o caso.

Lá no site do FGC eles possuem uma lista com o intervalo de tempo transcorrido entre a data da decretação e o início do pagamento para todo o histórico de pagamentos do fundo.

Repare que, para o caso do Banco BVA, o FGC apresenta nessa lista o prazo de 4 meses e 12 dias. Considerando decretação em 19/10/2012 e o início do pagamento em 04/03/2013.

No entanto, já mostrei que foram quase 6 meses. O próprio edital “de pagamento” do FGC é de 10/04/2013. Lá no edital também consta que o início do pagamento seria 15/04/2013. Então, não sei que conta é essa do Fundo Garantidor de Crédito, pra considerar o início do pagamento em 04/03/2016.

Enfim, o que importa é isso: se a instituição financeira coberta pelo FGC quebrar, você pode ficar cerca de 6 meses sem ver a cor do seu dinheiro.

Então, vale a pena correr esse risco? Eu diria que sim. O Fundo Garantidor de Crédito realmente funciona e os bancos menores pagam rentabilidades excelentes!

 

Onde encontrar os pequenos bancos?


pequenos bancos

Simples: utilizando corretoras. Eu mesmo possuo contas em mais de uma corretora.

Numa corretora você terá acesso aos produtos de vários bancos diferentes (grandes e pequenos) e de variadas instituições financeiras. Assim você pode comparar a rentabilidade e escolher a melhor opção pra você.

Ao investir através da nossa conta bancária, as opções serão limitadas aos produtos do próprio banco.

Outra ótima opção para acessar os pequenos é o site: www.PoupaBrasil.com.br

O Poupa Brasil é uma associação que reune pequenos bancos. Você abre uma conta lá e pode passar a comprar CDBs (na verdade RDBs) desses pequenos bancos. Feita a compra no site, eles passam uma conta do respectivo banco para que você faça um TED e liquide a operação.

O valor mínimo de aplicação é de R$1.000,00 e as instituições financeiras associadas ao Poupa Brasil sempre tem taxas excelentes. Tudo é 100% online e simples. Mas lembre-se dos prazos de carência e de vencimento, conforme já alertamos no artigo sobre Renda Fixa (em suma, você não consegue resgatar nada antes do vencimento).

Pra tranquilizar e estudar sobre a instituição onde você vai investir… tu ainda pode consultar aqui três rankings interessantes em relação aos bancos. Ranking de maiores bancos, ranking de maiores lucros e ranking de maiores prejuízos. O mesmo vale para esse ranking aqui de financeiras.

 

E se um grande banco quebrar?


Pois é, os grandes bancos são sim cobertos pelo FGC. Na mesma regrinha de 250mil por CPF e por instituição financeira.

Nessa lista você pode ver que, desde a criação do FGC em 1995, apenas um grande banco chegou à bancarrota: o Banco Bamerindus, em 1997, onde foram cobertos 3,9 bilhões de reais.

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Lembra dele? Aquele banco que aparecia do Domingão do Faustão com o bordão:

“O tempo passa, o tempo voa… e a poupança Bamerindus continua numa boa…”

Pois é, quase duas décadas, camarada. O tempo realmente passa, o tempo realmente voa. Hehehe.

Então, vamos lá… Se hoje um grande banco passar e voar… Será que o FGC suporta?

No relatório do FGC de Junho/2016 consta que os recursos elegíveis da garantia (toda a grana em todos os bancos e instituições) alcança o valor de 1,8 trilhões de reais.

Porém, nesse mesmo relatório, consta que a disponibilidade (a quantidade de dinheiro) que o fundo tem disponível para pagamentos é de 28,8 bilhões.

Ou seja, o valor disponível no FGC cobre cerca de 1,6% do valor total do sistema. Esses 28,8 bilhões devem ser mais do que suficientes pra cobrir a queda de alguns pequenos bancos. Mas não dá pra saber se ele suportaria uma quebradeira geral em série.

Ainda, repare aqui que o maior banco privado do país, o Itaú, possui, apenas em depósitos, a quantia de 347,5 bilhões de reais. Esses 347,5 não seriam elegíveis da garantia na sua totalidade, pois vale lembrar que é até 250 mil por CPF. Mas com esse número já dá pra ter uma ideia que o FGC provavelmente não suportaria a quebra de um banco desse porte.

O HSBC, líder de prejuízo bancário no Brasil (452 milhões de prejú), possui depósitos no total de 58 bilhões.

 

Conclusão


E aê? Bateu a confiança pra colocar seu dinheiro em pequenos bancos?

Buscando alta rentabilidade, eu realmente coloco sem medo. Na pior das hipóteses, o FGC vai cobrir e eu não perco nada.

Bastar adotar uma estratégia inteligente:
-> colocar no máximo 100mil reais em cada banco (convenhamos: mais que o suficiente, né!).

Por que 100mil? Porque os 250mil inclui o que você colocou mais os rendimentos. E sim, aqui no Brasil é relativamente fácil duplicar seu capital investindo em Renda Fixa.

Algumas pessoas não tem conta em corretora porque tem medo da corretora quebrar. Assim, alguns leitores vieram me questionar o que aconteceria se a corretora falisse. O dinheiro disponível em conta corrente de corretoras NÃO são garantidos pelo FGC, mas possuem certo tipo de garantia, sim. Se tiver interesse em saber o que acontece nesse caso, então saca esse artigo aqui.

 

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